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As dez mais de 20 de agosto

Qua, 20/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Pré-sal será administrado por uma nova empresa
É o que diz a manchete da Folha (para assinantes), em reportagem de Kennedy Alencar. O jornal paulista é o único a “cravar” a informação de que, durante uma reunião com líderes da base aliada, o presidente Lula anunciou sua decisão pela criação de uma estatal que cuide somente das reservas petrolíferas da camada pré-sal, que ainda não foram leiloadas. O texto diz ainda que, mesmo com uma expectativa de exploração desses poços só daqui a alguns anos, Lula quer usar o pré-sal para se fortalecer e catapultar seu sucessor em 2010. O Estadão, mais cauteloso, informa que “o Planalto está cada vez mais inclinado” a adotar esse modelo, muito semelhante ao da Noruega, de uma segunda estatal petrolífera, bem mais enxuta que a empresa-mãe (no nosso caso, a Petrobras).

2. Supremo julga hoje fim do nepotismo
O Supremo Tribunal Federal julga nesta quarta-feira mais um tema polêmico: desta vez, é a proibição de contratação de parentes no Poder Judiciário, que pode ser estendida para o Executivo e o Legislativo. Os ministros vão analisar o mérito de uma ação, movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que pede o reconhecimento da constitucionalidade de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibindo a prática. Em 2006, em decisão liminar, o STF já havia mantido a resolução, lembra o G1. Se o Supremo decidir a favor da ação, vai oficializar o que já deveria ser vedado pelo próprio bom senso e noção de decência na vida pública. Mas aí seria pedir muito…

3. Reajuste a servidores públicos está emperrado
O governo decidiu há um bom tempo que vai dar reajuste salarial a cerca de 300 mil servidores públicos, mas a medida teima em ficar só na promessa. O Correio Braziliense traz hoje a informação que o aumento está emperrado pela queda-de-braço entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Chinaglia diz que os deputados não suportam mais engolir tantas Medidas Provisórias do Executivo – o reajuste ocorreria via MP, segundo os planos do governo. Agora, o governo propõe retirar da pauta a MP que cria o Ministério da Pesca em troca de o reajuste ser aprovado por um projeto de lei, como querem os deputados. Chinaglia ainda não se manifestou sobre a sugestão, mas, mesmo que a aceite, há um risco grande de o governo não conseguir cumprir a meta de aumentar o contracheque dos servidores a partir de outubro.

4. Jobim quer empresas financiando as Forças Armadas
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defende a participação de empresas no custeio de operações das Forças Armadas. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), a idéia de Jobim é promover uma relação ganha-ganha: os militares realizam treinamentos para garantir a segurança de infra-estrutura estratégica e as companhias do setor custeiam essa proteção. No mês que vem, Exército, Marinha e Aeronáutica farão a Operação Atlântico, mobilizando 9 mil homens para simular a repressão a invasores em áreas litorâneas, onde existam bacias petrolíferas. Nesse caso, o plano é contar com a ajuda da Petrobras, principal interessada em manter sob segurança suas reservas, para viabilizar a ação.

5. No Rio, só 7% confiam na PM
Uma pesquisa do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostra como as polícias andam desacreditadas na Região Metropolitana do Rio: só 6,9% dos entrevistados dizem acreditar totalmente na PM, e um pouco mais, 9,2%, na Polícia Civil. O Globo informa que o estudo também perguntou qual é o maior temor de quem mora no Rio e em seu entorno: ser atingido por uma bala perdida foi a resposta de 57% das pessoas, seguido do medo de ficar no meio de um tiroteio, com 43,5%. Nada mais sintomático…

Economia
6. Aumento da arrecadação já supera CPMF
O governo vem se contradizendo (para o bem) cada vez mais na questão da suposta falta significativa que a CPMF, extinta em dezembro do ano passado, faria para manter os níveis de arrecadação tributária. De janeiro a julho, entraram para os cofres públicos R$ 389,6 bilhões, 11% a mais que no mesmo período de 2007. O Estadão atenta para o fato de que só esse aumento em relação ao ano passado, até agora, já supera o que deixou de ser arrecadado sem a CPMF. Ou seja, o mesmo governo que se lamentou tanto com o fim do imposto do cheque está provando agora que o tributo era importante, mas não uma questão de vida e morte, como parecia ser.

7. Brasil será 5º maior mercado consumidor do mundo em 2030
O Brasil deve se tornar o quinto maior mercado consumidor mundial até 2030, saindo da atual oitava posição e superando Alemanha, Reino Unido e França. A projeção é de um estudo da consultoria Ernst &Young Brasil e da FGV Projetos, divulgado nesta quarta-feira pela Gazeta Mercantil (para assinantes). No ano passado, o consumo interno foi de US$ 1,066 trilhão e, daqui a 22 anos, a estimativa é que chegue a US$ 2,507 trilhões, impulsionado pela elevação da idade média da população, aumento de escolaridade e melhor distribuição de renda.

Mundo
8. O perigoso ressurgimento dos talebans
O confronto que deixou 10 soldados franceses mortos no Afeganistão mostrou que o esforço ocidental (capitaneado pelos Estados Unidos) de eliminar núcleos terroristas no país asiático é uma tarefa sem prazo para terminar. E o que mais assusta é o ressurgimento dos talebans, responsáveis pelo ataque aos militares franceses, que estavam a serviço da Otan. A facção que controlava o Afeganistão até 2001 foi rapidamente apeada do poder pelas tropas americanas, mas nunca deixou de se mobilizar de alguma forma. O The Washington Post diz que os talebans estão “aumentando sua ousadia e sofisticação” nos confrontos com as tropas ocidentais, lembrando que, nos últimos três meses, mais militares estrangeiros morreram no Afeganistão do que no Iraque.

9. EUA vão instalar sistema antimíssil na Polônia
Numa clara provocação à Rússia, os Estados Unidos e a Polônia assinaram um acordo que vai permitir ao governo americano instalar parte de seu sistema de escudos antimísseis em território polonês. Como relata a BBC Brasil, evidentemente os russos não gostaram da decisão, uma vez que se trata de uma intervenção americana em um país que fazia parte do bloco comunista e se encontra na área de influência russa. Sabendo da delicada situação, a Polônia exigiu que, em troca de aceitar a instalação dos equipamentos, os Estados Unidos reforcem a segurança no país. Em tempos de guerra na Geórgia, todo cuidado é pouco…

10. Países ricos buscam solos férteis no exterior
A busca pela segurança alimentar está causando um fenômeno interessante: países com poucos recursos agrícolas estão investindo em projetos em nações mais pobres, mas fornecedoras de gêneros alimentícios, para garantir que não haverá risco de desabastecimento nas importações, informa o jornal britânico Financial Times. Um exemplo é a Arábia Saudita, que está pesquisando formas de injetar seus petrodólares em países como Sudão, Ucrânia, Paquistão e Tailândia, onde a oferta de terras agricultáveis é maior.

As dez mais de 19 de agosto

Ter, 19/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

Economia
1. A derrocada da Bolsa assusta, mas não é uma tragédia

O Ibovespa teve um dia muito negativo ontem, fechando em 53.326 pontos, o menor nível desde 10 de setembro do ano passado. Com isso, o recuo no ano alcança 16,5%. O motivo da queda atual não é novo: só aumentaram os temores em relação à saúde financeira das gigantes do setor hipotecário americano Fannie Mae e Freddie Mac. É evidente que o momento é de apreensão, mas analistas ouvidos pelo Estadão acreditam que o patamar de baixa já sinaliza uma tendência de compra de papéis, sem pensar no ativo em curto prazo. Marcos Crivelaro, professor da Fiap, diz que os reflexos das crises internacionais na bolsa paulista têm sido menos duradouros e acredita em uma recuperação até o final do ano, podendo voltar a bater na casa dos 70 mil pontos.

2. Preços agrícolas ajudam IGP-10 a cair
Se a Bolsa desanima, os índices de inflação começam a desacelerar. O IGP-10, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu 0,38% no período encerrado no dia 10, o menor nível desde julho do ano passado. A desaceleração foi de 1,62 ponto porcentual em relação ao período anterior. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), a queda no preço das commodities agrícolas foi determinante para esse resultado.

Política
3. Ministro do Trabalho faz sindicatos proliferarem

O Globo (íntegra para assinantes) traz uma reportagem sobre uma portaria do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que vem favorecendo a criação indiscriminada de sindicatos. A norma deu a Lupi o poder de arbitrar situações em que um sindicato tenta impugnar a criação de outra, algo que antes era responsabilidade do Judiciário. Com essa nova configuração, instituída em abril, a concessão de certidões a novas entidades - que lhes dão direito de receber parte do imposto sindical obrigatório - subiu para 22 por mês, ou uma por dia útil. A princípio, liberdade sindical é algo saudável, desde que as opções sejam realmente representativas.

4. PT recebe multa milionária por caixa 2
A Receita Federal aplicou uma multa de R$ 1,39 milhão ao PT pelo não-pagamento de impostos sobre um valor omitido que foi usado para pagar despesas de campanha. Segundo a Folha (para assinantes), R$ 1,47 milhão dos R$ 2,47 milhões não declarados pela contabilidade petista vem de pagamentos de dívidas feitos pela agência de publicidade SMPB, de Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão. Pela Constituição, lembra a Folha, os partidos têm imunidade tributária, desde que sigam as regras do Código Tributário Nacional - a Receita acha que o partido infringiu as normas e diz que houve sonegação de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). O processo ainda está em fase de cobrança administrativa, mas revela como estão longe da transparência as finanças dos partidos políticos no Brasil.

Justiça e segurança pública
5. Agora, maior de idade pode continuar recebendo pensão

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que um filho, mesmo após ter completado 18 anos, não perde automaticamente o direito de receber pensão alimentícia dos pais e pode requerer a manutenção do pagamento, caso não possa se sustentar. A Agência Brasil diz que, com a decisão do STJ, cabe aos pais provar que eles não têm mais condições ou não precisam mais pagar pensão aos filhos.

6. PF segue insatisfeita com restrição de algemas
A Polícia Federal anunciou que vai modificar seu manual de procedimentos operacionais para se adaptar às novas regras impostas pelo Supremo sobre o uso de algemas. Mas nem por isso deixou de criticar mais uma vez as determinações. “Isso não tem precedentes no mundo. É uma restrição a uma prática histórica, consagrada e bem-sucedida de segurança. Toda a polícia do mundo usa algemas”, disse o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, como informa o G1. As declarações de Corrêa só alimentam uma rixa que deveria ter sido encerrada há muito tempo, mas que as duas partes (especialmente a PF) insistem em manter.

7. No Rio, Cabral e o Exército não se entendem
Quando o assunto é segurança pública, sempre há algum entrave nas ações de governo no Rio de Janeiro. Desta vez, o governador Sérgio Cabral (PMDB) não se entende com o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, sobre o uso do Exército para garantir a ordem durante as eleições. Depois de Cabral ter dito que Silveira “não é muito proativo”, o general afirmou em nota que não tem “competência legal” para autorizar os militares a atuar no processo eleitoral. Na semana passada, lembra o Estadão, o TSE já havia liberado o emprego das Forças Armadas para esse fim, mas há um longo caminho até as duas partes se acertarem.

8. A precariedade da segurança em pontos turísticos do Rio
Depois do seqüestro do conselheiro da Embaixada do Vietnã, Vu Nam, no Mirante Dona Marta, um dos locais visitados por turistas a caminho do Cristo Redentor, a reportagem do Globo (íntegra para assinantes) foi a vários cartões-postais da cidade e constatou que o policiamento nessas áreas está longe do ideal. Na Urca, aos pés do Pão de Açúcar, um dos dois PMs que estavam numa viatura tirava uma tranqüila soneca, por volta das 14h30 de ontem. A foto foi parar na capa do jornal e resume bem o deus-dará de quem se dispõe a visitar a cidade.

Cultura
9. A violência carioca mudou o samba, diz o El País

O diário espanhol El País traz nesta terça-feira uma reportagem interessante sobre como o samba está sendo influenciado pela crescente violência no Rio de Janeiro, berço do gênero. O correspondente Juan Arias diz que os sambistas sempre souberam captar “a idiossincrasia e os humores” do Rio ao longo do tempo e, agora, “não faz outra coisa que captar o clima de violência que aterroriza a cidade”. No texto, Jorge Aragão, cujo samba Coisinha do Pai já foi até usado para “acordar” o robô Soujouner numa missão a Marte, afirma que tem vergonha do Rio. Uma de suas composições mais recentes, aliás, se chama O Iraque é Aqui.

Mundo
10. Otan dá ultimato à Rússia para sair da Geórgia

Os EUA já cobraram, a União Européia também, e agora é a vez de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar do Ocidente, dar um ultimato à Rússia para retirar suas tropas da Geórgia, como relata o jornal britânico The Guardian. O secretário-geral da Otan, Jaap Scheffer, disse que não pode manter “um relacionamento normal” com os russos enquanto eles não cumprirem a promessa de sair do território georgiano. Há seis anos, os antigos inimigos criaram um fórum para discutir formas de cooperação. Por enquanto, o governo russo ignorou as cobranças de todos os grandes atores internacionais. Será diferente com a Otan? A ver…

As dez mais de 18 de agosto

Seg, 18/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Caymmi, o compositor das canções necessárias
Infelizmente, a cobertura das Olimpíadas de Pequim fez com que a morte de Dorival Caymmi, no sábado, aos 94 anos, não rendesse tantas homenagens na mídia. Mas vale destacar algumas. Na Folha (para assinantes), o ensaísta Francisco Bosco diz que o baiano foi o “mestre maior das canções necessárias”. Dorival Caymmi às vezes levava anos para terminar uma canção, diz Bosco, mas, quando fazia, era para se tornar um sucesso da MPB. No site de ÉPOCA, Luís Antônio Giron até brinca com a “economia” criativa desse gênio da MPB: “São oito dezenas de canções, muito pouco… sempre é muito pouco, mas talvez Caymmi tenha sido econômico em demasia. A gente queria mais.”

Educação
2. Cresce número de alunos pobres na universidade

A informação está na manchete da Folha (para assinantes). A presença de alunos com renda familiar mensal de até três salários mínimos no ensino superior cresceu 49% entre 2004 e 2006, segundo levantamento do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. A participação desse grupo de estudantes na universidade passou de 10,1% para 15,1%. Esse crescimento se deu principalmente por causa do ProUni, o programa do governo federal que dá bolsas para universitários de baixa renda. Sempre é uma boa notícia mais gente no ensino superior, mas o desafio continua sendo dar uma formação de qualidade a esse contingente.

3. Distrito Federal terá cadastro de alunos indisciplinados
O governo do Distrito Federal decidiu tomar uma medida radical para conter os casos de violência dentro das escolas da rede pública. Será feito um cadastro dos alunos que se envolverem em atos de indisciplina, não importando a gravidade. Um passo posterior seria o cruzamento dessa “ficha suja” estudantil com os dados de ocorrências policiais, como relata o Correio Braziliense. O governador José Roberto Arruda garante que as informações não serão usadas para constranger ou até incriminar algum aluno, mas sim para se fazer um planejamento de reforço policial nas escolas consideradas mais problemáticas, principalmente onde existem gangues ligadas ao tráfico de drogas. É claro que a proposta já causou chiadeira. O promotor da Infância e Juventude Renato Varalda disse que o banco de dados infringe o Estatuto da Criança e do Adolescente e pode estigmatizar os alunos.

Ambiente
4. Na Amazônia, o inimigo mora dentro do governo

O Jornal do Brasil traz uma reportagem sobre como o Ministério do Meio Ambiente não tem de lutar apenas contra os fazendeiros e grileiros no combate ao desmatamento. Há um inimigo também dentro do próprio governo. Assentamentos criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aparecem quatro vezes entre os 25 maiores desmatadores da Amazônia Legal em 2007. Somando multas recebidas (R$ 176 milhões) e hectares devastados (151 mil), o Incra se torna o campeão do desmatamento no ano passado. O órgão federal alega que essas áreas foram desmatadas para assentamentos há muitos anos e só foram contabilizadas agora, como se isso diminuísse o problema. Aí fica difícil…

5. Berço do Fome Zero, Guaribas segue na miséria
O Valor Econômico (para assinantes) teve a oportuna idéia de visitar a pequena Guaribas, no Piauí, cinco anos e meio depois de ter sido escolhida como vitrine do então recém-lançado Fome Zero. A lógica do programa de fazer um trabalho emergencial (alimentar a população) para que depois a cidade se desenvolvesse pelas próprias pernas fracassou. Passada a empolgação inicial, Guaribas não avançou nada. A agricultura e o comércio são insignificantes e quase a totalidade das famílias continua dependendo do Bolsa-Família, num ciclo que dificilmente vai se encerrar a curto prazo. Um retrato bem brasileiro.

Crime
6. O caso do diplomata do Vietnã no Rio
O seqüestro do conselheiro da Embaixada do Vietnã no Brasil, Vu Nam, e de outros três turistas chineses neste fim de semana escancara mais uma vez o crônico problema de segurança pública no Rio de Janeiro. Como relata o Globo, Nam e os demais reféns escaparam do cativeiro a pé, correndo o enorme risco de serem perseguidos pelos bandidos. A Secretaria de Segurança Pública considerou o episódio “muito grave”. E a gravidade se potencializa para uma cidade que é vista como cartão-postal do Brasil e sonha em ser sede de uma Olimpíada. Como “vender” a imagem de um lugar em que um diplomata estrangeiro corre o risco de ficar mais de 24 horas trancafiado num barraco? O pior é saber que casos como esse podem não ser exceção…

Economia
7. A mão dos especuladores na alta do petróleo
O peso da especulação nas cotações internacionais do petróleo pode ser maior do que se imaginava. O The Wall Street Journal (íntegra para cadastrados) mostra que a participação de especuladores nas ações de petróleo bruto na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) subiu de 38% para 49%, reacendendo a discussão sobre a restrição a esses investidores nesse tipo de operação financeira. Há também muitas críticas em relação à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, responsável por supervisionar a movimentação de ações no mercado do petróleo.

Mundo
8. Paquistão: Musharraf não resiste à pressão e renuncia

Concretizada nesta segunda-feira, a renúncia do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, era mais que esperada. A pressão da coalizão de partidos oposicionistas era muito forte e ele não tinha mais apoio do parlamento. Agora é saber como este país ameaçado constantemente pela presença de grupos terroristas vai reagir à transição política. O The New York Times diz que a saída de Musharraf, sempre um aliado dos Estados Unidos, causa “uma intensa preocupação em Washington”, que teme o recrudescimento do terrorismo caso “a frágil coalizão rache na disputa pelo poder”.

9. Rússia diz que tropas saem hoje da Geórgia. Alguém acredita?
A lógica do “engana que eu gosto” vem se repetindo quase diariamente no desenrolar do conflito entre Rússia e Geórgia. O Exército russo garante que já começou a retirada de suas tropas do território georgiano, aparentemente cedendo à pressão dos EUA e da União Européia a favor da soberania da Geórgia. Mas, como relata o britânico The Guardian, “as forças russas em torno da cidade de Gori não deram nenhum sinal de movimentação e parecem até mesmo reforçar suas posições”. É esperar para ver se não é mais um jogo de cena russo, acompanhado de uma suposta indignação do Ocidente.

10. Evo Morales volta a se indispor com o estado de Santa Cruz
Está se tornando cada vez mais insustentável a relação entre o presidente boliviano, Evo Morales, e o departamento (estado) de Santa Cruz, o mais rico do país, que busca de todas as formas sua autonomia em relação a La Paz. A BBC Brasil informa que o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, vai recusar a nomeação, por Evo, do novo comandante da polícia local – o chefe anterior renunciou ao cargo ontem, após um violento confronto com oposicionistas do presidente.

As dez mais de 15 de agosto

Sex, 15/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Enquanto o desmatamento cai na Amazônia…
Está na coluna de hoje de Ancelmo Góis, no Globo (para assinantes), a notícia de que a taxa de desmatamento na Amazônia em julho caiu 50% na comparação com o mês anterior. Aliás, lembra o colunista, o índice já havia recuado 20% em relação a maio. Os dados ainda serão divulgados oficialmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mas já se pode arriscar a falar em uma tendência de desaceleração no ritmo de devastação da floresta. Se isso tem a ver diretamente com a gestão do ministro Carlos Minc, é algo que precisa ser analisado com mais profundidade. Mas não deixa de ser uma boa notícia.

2. O diesel “sujo” continua poluindo o ar
A política ambiental brasileira ainda está muito longe de ser equilibrada. Se o desmatamento na Amazônia anda recebendo a atenção devida, o cumprimento de normas para combustíveis menos poluentes vem sendo ignorado. A Gazeta Mercantil informa que, por falta de empenho do governo em cobrar providências das refinarias da Petrobras, o Brasil não vai se adequar, até o início de 2009, ao padrão de 50 partes por milhão (ppm) de enxofre no diesel usado em regiões metropolitanas. As montadoras também pouco se esforçaram em dar apoio à medida, talvez porque o novo diesel lhes traz um aumento de custo. Essa norma, diga-se, foi definida em 2002. Mesmo com sete anos para se adaptar, nossos veículos a diesel continuarão com uma mistura muito poluente, de 500 ppm de enxofre. Só para comparação, na Europa se utiliza diesel com 10 ppm de enxofre. Agora se estima em alcançarmos esse índice de 10 ppm em 2012. No fim de 2011, é bem possível que vamos dar mais uma alongada no prazo…

3. TSE libera Forças Armadas nas eleições do Rio
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral aprovaram, por unanimidade, o envio de tropas das Forças Armadas para garantir a segurança do processo eleitoral no Rio de Janeiro. Segundo o Globo, basta apenas uma manifestação por escrito do governador Sérgio Cabral (PMDB) para que os militares sejam destacados. Cabral já havia conversado com o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, sobre sua vontade de ver o Exército atuando para manter a ordem durante a campanha. Britto disse que o TSE está fazendo um mapeamento das áreas mais delicadas da capital fluminense para que a ocupação seja bem organizada. Assim, é mais difícil que ocorram episódios desastrosos envolvendo os militares, como o assassinato de três adolescentes do Morro da Providência.

4. Reino Unido quer vigiar brasileiros em Cumbica
A manchete do Estadão informa que o governo britânico quer passar a exigir visto de entrada de brasileiros. Caso o Brasil queira evitar essa obrigatoriedade, teria de aceitar que um policial britânico atue no setor de imigração do Aeroporto Internacional de Guarulhos e treine funcionários para fazer uma triagem mais rigorosa sobre quem está viajando para o Reino Unido. Tudo isso porque os britânicos incluíram o Brasil numa lista de 11 países que não estariam combatendo o embarque de imigrantes ilegais. É evidente que essas exigências, entregues em carta aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Celso Amorim (Relações Exteriores), causaram um mal-estar diplomático. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente. Não bastasse isso, a União Européia deve aprovar mais um rígido pacote de leis antiimigração nos próximos meses. Por ano, cerca de 600 mil pessoas ingressam sem autorização na Europa.

5. Governo adia megareajuste a servidores
Os cerca de 300 mil servidores do Executivo federal vão ter de esperar para receber o reajuste salarial prometido pelo governo. É possível que o contracheque mais gordo venha só em outubro, segundo o Correio Braziliense. Isso porque técnicos contábeis da União estão revisando cada um dos acordos assinados com 54 categorias. Nada que mexa no aumento real dos salários, mas sim uma checagem de porcentuais estipulados para gratificações, promoção na carreira e sistemas de avaliação de desempenho. Embora cientes de que o dinheiro vai sair, os sindicatos envolvidos na negociação cobram pressa, pois o acerto foi feito há mais de um mês. Eles querem a edição de Medidas Provisórias para adiantar os reajustes, e o governo planejava enviar projetos de lei à Câmara.

6. Grupo de Dantas quer quebrar sigilo de Protógenes
No caso Daniel Dantas, fazer a distinção entre acusado e acusador é tarefa complicada. Depois de o ex-banqueiro afirmar à CPI dos Grampos que a Operação Satiagraha foi uma vingança do delegado Paulo Lacerda contra ele, o advogado de Hugo Chicaroni, lobista a serviço de Dantas que foi solto ontem, disse ter pedido à Justiça a quebra do sigilo telefônico de seu cliente e do delegado Protógenes Queiroz, que iniciou as investigações e foi afastado posteriormente. Segundo a defesa de Chicaroni, Protógenes era amigo dele há sete anos e a suposta tentativa de suborno registrada em vídeo teria sido iniciativa do delegado - o que teria sido acertado por telefone, segundo o Estadão.

Mundo
7. A Rússia bateu o pé na Geórgia. O que fazer?

O chanceler russo, Sergei Lavrov, não poderia ter sido mais claro: a integridade territorial da Geórgia é “algo para esquecer”. A Rússia já vê a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia, ambas províncias georgianas, como algo inevitável. Os líderes dos dois territórios se reuniram ontem com o presidente Dimitri Medvedev para acertar o início do processo de separação da Geórgia. Por enquanto, a reação americana tem ficado no discurso, como mostra o The New York Times. O presidente George W. Bush disse que os russos precisam parar com a “intimidação” e que os limites do território georgiano têm de ser respeitados. Bush está numa situação desconfortável. Às vésperas de deixar a Casa Branca, tenta evitar o desgaste de mandar tropas à Geórgia e se indispor militarmente com a Rússia, mas ao mesmo tempo vem dando espaço para uma perigosa ascensão russa.

8. Paquistão: Musharraf a um passo da renúncia
A situação do presidente paquistanês Pervez Musharraf é tão insustentável que o país já discute como será o processo de transição. O general, à frente do Paquistão desde 1999, deve deixar o cargo nos próximos dias, sufocado por um movimento de partidos oposicionistas e antigos aliados que pedem um governo mais democrático. Nem mesmo os Estados Unidos, que sempre apoiaram o presidente, escondem que sua renúncia é um fato consumado. O The Washington Post ouviu um graduado militar paquistanês que garantiu o não-envolvimento das Forças Armadas no futuro governo, afastando um pouco o risco de um novo golpe. Por outro lado, teme-se que o nome a ser escolhido pelo Parlamento até 30 dias depois da saída de Musharraf não consiga conter a ação de grupos terroristas numa nação ainda muito instável.

9. Itaipu e brasiguaios põem à prova relação Brasil-Paraguai
Uma reportagem publicada pelo diário francês Le Monde nesta sexta-feira diz que o novo presidente paraguaio, Fernando Lugo, assume com dois desafios que põem “à prova” a relação com o Brasil: a revisão do tratado da hidrelétrica binacional de Itaipu e a permanência de cerca de 300 mil agricultores brasileiros radicados no sudeste paraguaio, chamados de brasiguaios. O governo brasileiro já afirmou algumas vezes que não planeja pagar mais pela energia excedente à que o Paraguai tem direito, e sem-terra paraguaios vem fazendo uma onda de invasões nas terras dos fazendeiros brasileiros.

Olimpíadas
10. Liderança chinesa nas medalhas já preocupa EUA

A delegação americana tenta demonstrar tranqüilidade, mas não consegue esconder uma certa inquietação com a distância aberta pela China na liderança do quadro de medalhas. Até as 11 horas desta sexta-feira, os chineses tinham 25 de ouro, contra apenas 14 dos EUA. Tudo bem que as prováveis medalhas do atletismo vão equilibrar a disputa, mas é visível que, nesta edição dos Jogos, a supremacia americana está seriamente ameaçada. O colunista da Folha (para assinantes) nos EUA, Sérgio Dávila, diz que isso “tira o sono do norte-americano médio”. “Assisti com curiosidade ao deslocamento aos poucos do foco noticioso do conflito no Cáucaso para o conflito na ginástica olímpica feminina”, escreve Dávila.

As dez mais de 14 de agosto

Qui, 14/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. O nebuloso depoimento de Daniel Dantas
O depoimento do ex-banqueiro Daniel Dantas à CPI dos Grampos trouxe mais dúvidas que esclarecimentos - algo até esperado se levada em conta sua inclinação a negócios complexos. Ele afirmou que a Operação Satiagraha, que o prendeu há um mês, foi “encomendada” no ano passado por Paulo Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal e atual chefe da Abin. Seria uma vingança de Lacerda pelo fato de Dantas ter em mãos um suposto dossiê contra ele, como informa o Estadão. Em outra acusação, disse que o delegado Protógenes Queiroz o havia alertado de que poderia investigar até Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, por ter recebido R$ 5 milhões da Telemar. Quando perguntado pelos parlamentares se havia usado grampos ou ordenado o suborno de um delegado da PF, negou tudo, evidentemente. É claro que as afirmações de Dantas precisam ser investigadas, mas é bom ter em mente que Dantas estava ali para tentar inverter os papéis: ou seja, fazer-se de vítima.

2. PF versus Supremo I: Gilmar Mendes quer central de grampos no CNJ
O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, vai propor ao Conselho Nacional de Justiça a criação de uma central de controle das escutas telefônicas para monitorar a quantidade de grampos em andamento no país e a duração legal deles. Segundo a Folha (para assinantes), as informações armazenadas permanecerão sigilosas, mas o acesso às estatísticas gerais será público. Instalar um sistema desses não é algo simples, mas a idéia é louvável, desde que bem executada e sem vazamento ilegal de informações (o que seria uma ironia, se estamos falando de grampos). E, é claro, seria mais um recado do Judiciário ao uso indiscriminado de escutas telefônicas em operações da PF.

3. PF versus Supremo II: mau uso de algemas pode anular prisão
Outro foco claro de tensão entre a PF e o Supremo tem sido o uso de algemas em operações policiais. A Corte aprovou ontem uma súmula vinculante que restringe o emprego desse equipamento e pune quem abusar dele. Como diz o Globo, o policial que quiser usar algemas terá de pedir autorização por escrito, justificando essa atitude. E, se a Justiça considerar a ação abusiva, a investigação pode ser anulada e a autoridade policial, sujeita a pagar indenização. Um dos editoriais do jornal (para assinantes) nesta quinta-feira diz que “agiu acertadamente o Supremo”. E complementa: “É nítido o viés de caça às bruxas nessas operações”.

4. Câmara aprova licença-maternidade opcional de seis meses
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei, da senadora Patrícia Sabóia (PDT-CE), que prevê incentivos fiscais a empresas que concederam 180 dias, e não mais 120, de licença-maternidade. Como explica a Agência Brasil, o empregador terá o direito de descontar do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica o valor integral dos salários pagos à funcionária gestante pelos dois meses adicionais que ela ficar cuidando do filho. A mulher que adotar uma criança ou obtiver a guarda judicial dela também terá direito à extensão da licença. Agora só falta a sanção do presidente Lula para se tornar lei essa medida que, à primeira vista, parece agradar tanto às mães quanto aos patrões das mães.

5. Kassab manda projeto de pedágio urbano à Câmara e manda retirá-lo
Preocupado com um eventual aumento de impopularidade, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), sempre disse ser contrário à adoção do pedágio urbano para aliviar o trânsito da capital - medida adotada com sucesso em Londres. Diante disso, foi surpreendente a chegada à Câmara Municipal, ontem, de um projeto de lei do Executivo que prevê justamente a cobrança de uma tarifa para a circulação de veículos em determinadas áreas. A medida estava incluída num pacote mais amplo, chamado de Política Municipal de Mudança Climática, com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Segundo o Estadão, a assessoria do prefeito diz que houve “erro de comunicação”, pois ele já teria pedido para retirar do projeto os itens relativos ao pedágio. Aliás, a proposta deve ser retirada da pauta da Câmara ainda hoje. O episódio mostra que ou Kassab não tem boa sintonia com toda a sua equipe de governo ou anda indeciso sobre o que fazer diante do caótico trânsito da cidade.

Economia
6. Modelo de exploração do pré-sal vai ficar para depois das eleições

É o que diz uma reportagem do Valor Econômico (para assinantes). O governo federal decidiu deixar para depois das eleições municipais a definição sobre como serão exploradas as gigantes reservas petrolíferas na camada pré-sal. O Valor afirma que vem ganhando força a proposta de criação de uma estatal só para administrar a exploração, num sistema semelhante ao adotado na Noruega. Mas a Folha (para assinantes) informa que os acionistas minoritários da Petrobras ameaçam ir à Justiça contra a eventual criação da outra estatal petrolífera. Eles temem uma desvalorização das ações da Petrobras.

7. Os Brics já não são mais os mesmos
Já vão quase sete anos que o economista-chefe do banco americano Goldman Sachs, Jim O’Neill, cunhou o termo Brics para falar de um grupo de quatro países que vinha se destacando na economia mundial: Brasil, China, Índia e Rússia. Uma reportagem do diário britânico Financial Times (íntegra para assinantes) desta quinta-feira mostra que eles não andam tão bem assim ultimamente. Neste ano, diz o jornal, o índice S&P 500, que mede o desempenho das ações das principais empresas americanas, caiu 12%, ao passo que a Bovespa recuou 15%; as bolsas da Índia e da Rússia, mais de 20%; e o índice CSI300, da China, teve queda de 54%. O FT diz que a principal razão para esses resultados negativos foi a queda no preço das commodities, pois “prejudicou países ricos em recursos, como a Rússia e o Brasil”.

Mundo
8. Na guerra da Geórgia, Rússia diz uma coisa e EUA querem outra

O pior da guerra entre a Geórgia e a Rússia, que é o confronto militar aberto, parece já ter passado. O problema é que os russos ainda estão longe de se entender com a outra potência (os EUA) sobre o espólio do conflito. O presidente russo Dimitri Medvedev disse nesta quinta-feira que seu governo vai agir como “garantidor internacional” da paz nas duas províncias separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkázia. Como diz o The New York Times, a posição russa é “um claro desafio” ao presidente americano George W. Bush, que insiste no respeito à soberania e à integridade territorial dos geórgios. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, está a caminho da região do conflito, mas antes passa na França para falar com Nicolas Sarkozy, que articulou um cessar-fogo entre a Rússia e sua antiga república.

9. No Paraguai, Lugo assume com onda de invasões no campo
Os brasiguaios, como são chamados os agricultores brasileiros que se radicaram no Paraguai, estão sofrendo com uma onda de invasões e destruição de plantações por parte de grupos sem-terra, numa espécie de “agosto vermelho”, como diz uma reportagem do Valor Econômico (para assinantes). Este deve ser um dos principais problemas que terá de enfrentar o ex-bispo Fernando Lugo, que toma posse como presidente do Paraguai nesta sexta-feira. Em entrevista ao diário ABC Color, Lugo disse que não vai ser tolerante com a violência rural. “Basta de invasões. A lei será igual para todos”.

Olimpíadas
10. O que ocorre com Roger Federer?

O dia foi muito bom para o Brasil nos Jogos de Pequim, principalmente pela medalha de bronze do nadador César Cielo nos 100 metros livre. Mas o destaque olímpico desta quinta-feira é negativo: o tenista suíço Roger Federer, que vai ceder o posto de número 1 do mundo para o espanhol Rafael Nadal após quatro anos no topo, perdeu para o americano James Blake e está fora dos Jogos. A má fase de Federer, que para alguns já vinha sendo encarado como o maior tenista da história, parece não ter fim. Tanto que seu algoz, Blake, jamais o havia vencido em oito confrontos anteriores. Para o The Guardian, a derrota reforça um ano “miserável” para Federer. O suíço permanece sem nenhuma medalha olímpica e é, pelo menos até agora, a maior decepção de Pequim.

As dez mais de 13 de agosto

Qua, 13/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. A insistente troca de farpas entre a PF e o Supremo
O Globo dá manchete para a Operação Dupla Face, da Polícia Federal, em que 32 servidores públicos e despachantes foram detidos em quatro estados. Seria só mais uma ação da PF, diz o jornal, não fosse o fato de ter sido a primeira após o Supremo Tribunal Federal limitar o uso de algemas a casos em que há risco de agressão ou fuga do preso. Pois a PF voltou a “peitar” o Supremo: todos foram algemados, e advogados dos acusados disseram que seus clientes foram fotografados e filmados durante a prisão. Parece claro que os federais ainda não engoliram as restrições impostas pelo Supremo. E nessa briga não há vencedores, pois só se cria um ambiente tenso entre os Poderes Executivo e Judiciário e, o pior, as operações da PF podem deixar de cumprir seu objetivo porque os investigados usam o argumento do constrangimento público para pedirem a anulação de uma eventual sentença desfavorável.

2. Lula encerra de vez o mal-estar da Lei de Anistia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva provou mais uma vez que tem uma habilidade ímpar em abafar crises. Agora ele conseguiu, aparentemente, enterrar a polêmica sobre a revisão da Lei de Anistia para que torturadores do regime militar pudessem ser punidos. Ontem, ele se encontrou com líderes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e com chefes das Forças Armadas. Aos primeiros, disse que o Brasil precisa “transformar nossos mortos (da ditadura) em heróis, e não em vítimas”, num sutil recado para que se deixe de ficar cobrando punições por crimes no passado. Com os militares, relata a Folha (para assinantes), Lula não fez nenhuma menção à questão, e a chefia das três Armas deu por encerrado o assunto.

3. De chefe da polícia a deputado cassado
Foi assim que o Jornal do Brasil definiu em sua manchete a trajetória de Álvaro Lins, o ex-todo-poderoso da Polícia Civil do Rio de Janeiro que chegou ao auge como deputado estadual (PMDB) e, ontem, foi apeado do cargo por denúncias de corrupção passiva, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito. Lins sabia que sua situação parlamentar era quase insustentável, mas ainda mantinha um fio de esperança no corporativismo comum quando o julgamento de alguém é feito por seus pares. Agora, o ex-deputado terá de responder a todas as acusações na Justiça comum, tal qual um cidadão também comum. A Assembléia Legislativa do Rio não tinha outra opção: manter em suas fileiras um deputado com tantas acusações graves era um fardo pesado demais.

4. Daniel Dantas e o direito de ficar calado
Meio esquecida por conta da cobertura olímpica, a Operação Satiagraha continua a ter seus desdobramentos. Os mais recentes são que o ex-banqueiro Daniel Dantas conseguiu, no Supremo Tribunal Federal, um habeas-corpus para permanecer calado durante a sessão desta quarta-feira da CPI dos Grampos, na Câmara. A Folha (para assinantes) informa que Dantas também não poderá ser preso durante o depoimento. E Humberto Braz, apontado como o braço-direito do ex-banqueiro, foi solto depois de um mês de cadeia. O ministro do Supremo Eros Grau, em sua decisão, afirmou que a prisão preventiva de Braz apresentava “manifesta ilegalidade”.

5. A MP da Pesca foi um erro do governo, diz base aliada
A própria base aliada na Câmara já deu o braço a torcer: não foi feliz a proposta do presidente Lula de criar o Ministério da Pesca por meio de uma Medida Provisória. Como informa a Agência Brasil, o próprio presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vinha questionando a forma como o governo queria impor a criação da pasta, e a MP deve ser revogada ainda hoje. Em editorial, o Estadão diz que “a sensação dominante no Congresso é de que Lula foi longe demais” em sua idéia de dar status ministerial a uma pasta “de todo dispensável”.

Economia
6. O Brasil não desistiu de Doha, diz Amorim ao Le Monde

O diário francês Le Monde mandou um enviado especial a Brasília para ouvir do chanceler Celso Amorim que ainda há uma “pequena chance” de salvar a Rodada de Doha da OMC. Para Amorim, é preciso “agir rápido”, senão outros fatores políticos, como as eleições nos EUA e na Índia, vão tomar conta da pauta política e enfraquecer a discussão. O grande foco da investida brasileira é mesmo a Índia, cuja posição inflexível em relação à negociação de subsídios agrícolas foi determinante para o fracasso da rodada.

7. Lula quer deixar entorno da camada pré-sal fora dos leilões
Uma reportagem da Folha (para assinantes) informa que o governo decidiu retomar os leilões de concessão da exploração de petróleo só nas áreas localizadas em terra ou em águas rasas. Isso porque a camada pré-sal e até mesmo seu entorno vão ser explorados só quando for definida a nova regra de aproveitamento para esses poços. Por enquanto, só se sabe que a Petrobras não ficará com todos os campos do pré-sal ainda não leiloados. O presidente Lula disse ontem que as gigantes reservas de óleo são um “patrimônio” que deve ser usado “para fazer a reparação aos pobres”, com investimentos na educação básica. O Valor Econômico (para assinantes) lembra que, ao tocar no assunto, Lula “desrespeitou uma ordem dada por ele mesmo aos ministros que compõem a comissão interministerial criada para discutir o pré-sal”.

8. Centrais querem fim do imposto sindical, mas com “efeitos colaterais”
As seis centrais sindicais brasileiras assinaram um compromisso de enviar ao governo, até o dia 21, uma proposta para acabar com o imposto sindical, instituído há 65 anos. O problema, como aponta o Estadão, são as formas de compensação elaboradas pelas centrais. No lugar do velho imposto surgiria a “contribuição negocial”. Seria uma taxa aplicada sobre a remuneração anual dos trabalhadores de cada categoria, e o porcentual seria definido em assembléia a cada encerramento de negociação salarial – mas as centrais querem um teto de 1%. Aí começa a polêmica: tal como o imposto sindical, todos os trabalhadores, sindicalizados ou não, seriam obrigados a pagar a contribuição. E a taxação de 1% levaria a um aumento da contribuição em relação ao atual imposto, que tira o equivalente a um dia de trabalho. O jornal exemplifica: se um funcionário ganha R$ 900 mensais, contribui com R$ 30, pelos moldes atuais. Com uma taxa de 0,6% (e o teto pode chegar a 1%), a contribuição negocial seria de R$ 54. Talvez seja melhor continuarmos com o velho imposto sindical…

Mundo
9. Rússia e Geórgia: um acordo de paz para francês ver

O presidente francês Nicolas Sarkozy, que está também no comando rotativo da União Européia, foi destaque na mídia estrangeira pelo suposto sucesso na articulação para que Rússia e Geórgia se entendessem sobre a Ossétia do Sul e chegassem a um cessar-fogo. O governo russo disse que aceitava os termos da UE, a Geórgia também se acalmou, mas parece que tudo só ficou na conversa. O The New York Times diz que a Geórgia está acusando a Rússia de atacar novamente Gori, dividindo o país em dois, pois a cidade é um ponto de ligação estratégico entre a capital Tbilisi e a saída para o Mar Negro, a oeste. Para o jornal, é uma “flagrante afronta a um acordo acertado horas antes para encerrar a guerra”. De fato, está difícil para os EUA e a comunidade européia saberem o que exatamente querem os russos. Azar da Geórgia…

Olimpíadas
10. Michael Phelps, o maior de todos. Com justiça

Talvez só daqui a alguns anos tenhamos consciência do privilégio que tivemos ao acompanhar a evolução de um atleta como o nadador americano Michael Phelps. Na maior competição esportiva do mundo, ele simplesmente se tornou o maior de todos, pelo menos em resultados: nesta terça-feira, conquistou mais duas medalhas de ouro e é, agora, quem mais obteve essa glória em toda a história olímpica. Após a final dos 200 metros borboleta, em que quebrou mais uma vez um recorde mundial, ele disse que poderia nadar mais rápido. Não foi soberba. Phelps sabe que ainda pode mais e está atrás das inéditas oito medalhas de ouro numa só Olimpíada. Como diz o site de ÉPOCA, “só mesmo alguém que trata o esporte com tamanha obsessão poderia superar os americanos Mark Spitz e Carl Lewis, a soviética Laryssa Latinina e o finlandês Paavo Nurmi, que têm nove ouros e, até esta noite, eram os donos da marca (de maiores medalhistas de ouro)”. Um dia, vamos poder dizer que Phelps não era uma lenda; nós o vimos nadar.

As dez mais de 12 de agosto

Ter, 12/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Rússia anuncia fim dos ataques à Geórgia. Será?
Depois de ampliar a incursão de suas tropas em território georgiano, a Rússia surpreendeu nesta terça-feira ao anunciar o fim de sua ofensiva militar no país vizinho. A declaração foi do próprio presidente Dimitri Medvedev, que disse ter “alcançado o objetivo de garantir a paz aos civis”. No entanto, como ressalta o The New York Times, ele deixou alguns pontos ainda não esclarecidos: não informou quando os militares começam a deixar a Geórgia e pediu ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, que “elimine” qualquer inimigo remanescente na Ossétia do Sul, a região separatista que provocou o confronto armado. Que trégua é esta, afinal? É mais do que justificável a comunidade internacional ficar com o pé atrás em relação a essa nova cartada russa…

Brasil
2. A idéia de punir os torturadores “subiu no telhado”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu pôr um fim na polêmica sobre a revisão da Lei de Anistia, defendida por seu ministro da Justiça, Tarso Genro, com o objetivo de punir os torturadores da ditadura militar. Ao Correio Braziliense, Tarso disse que não levou “nenhum puxão de orelhas”, mas subitamente mudou de opinião ao afirmar que “não há perspectiva alguma deste ministério em fazer uma revisão da lei”. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, também deu opinião desfavorável, como informa o Estadão: “É um tema que realmente talvez precise ser encerrado.” Mas tem gente que não quer deixar a peteca cair. A Folha (para assinantes) informa que pelo menos cem juristas, advogados, juízes e promotores assinaram manifesto em apoio a Tarso Genro, pedindo a discussão da reforma da Lei de Anistia. Desse apoio, depois da bronca do chefe, Tarso não precisa…

3. Lucro da Petrobras não pára de crescer
É evidente que a disparada das cotações internacionais do petróleo ajudou, mas não se pode esquecer a eficiência da Petrobras em se aproveitar desse cenário e obter mais um recorde: o lucro no primeiro semestre do ano foi o maior da história para o período, chegando a R$ 15,7 bilhões – alta de 44% em relação aos primeiros seis meses de 2007. Na análise dos resultados do segundo trimestre, os lucros subiram 29% na comparação com abril a junho do ano passado. Segundo a Gazeta Mercantil, os R$ 8,7 bilhões obtidos nesse período ficaram dentro das projeções mais otimistas do mercado

4. Obras da usina de Jirau sob queda-de-braço
O Valor Econômico (para assinantes) dá manchete para a guerra entre os consórcios que lutam pela concessão da usina hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira. O grupo liderado pela construtora Odebrecht e por Furnas entregou ao Ibama um relatório em que contesta a decisão do Enersus, o consórcio rival que ganhou o leilão, de mudar o local da barragem da usina. Segundo o documento, “existem grandes chances de haver atraso de um a dois no início da geração (de energia)”. O presidente do Enersus, Vitor Paranhos, diz que a Suez Energy, multinacional que controla o consórcio, está sendo vítima de espionagem industrial da Odebrecht, alegando que seu relatório contém informações técnicas sigilosas do projeto de construção de Jirau. Pelo jeito, a obra vai atrasar mesmo por causa dessa contenda…

5. Cabral cobra privatização urgente do Aeroporto do Galeão
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), parece ter perdido a paciência com a lentidão da reforma no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão. Numa audiência pública na Assembléia Legislativa, ele pediu à Infraero, administradora do terminal, para “largar o osso” e providenciar a concessão do Galeão à iniciativa privada. “Gambiarra não resolve”, afirmou, em referência às obras que não chegam ao fim no aeroporto. Segundo o Globo (íntegra para assinantes), Cabral está preocupado com o fato de o Comitê Olímpico Internacional ter apontado o terminal como o ponto mais fraco da cidade, o que pode prejudicar a candidatura da cidade para os Jogos de 2016.

6. Lula pensa em retirar MP do Ministério da Pesca
O Blog do Josias, no portal UOL, informa que o presidente Lula já cogita desistir da Medida Provisória que enviou ao Congresso para criar o Ministério da Pesca (hoje uma secretaria especial). Segundo o blog, Lula não está preocupado em formular melhor a proposta, mas sim fazer o jogo político no Congresso. É o seguinte: se o governo mantiver a MP na pauta, ficam à espera outras duas MPs consideradas prioritárias, que concedem reajustes salariais a mais de 350 mil servidores públicos - “gente que pressiona o governo e que Lula não quer deixar na chuva. Daí o flerte com a meia-volta”, diz Josias. Lula não desistiu do ministério pesqueiro, onde vai poder empregar mais 297 funcionários. Só deve atrasar um pouco sua criação, talvez agora por meio de projeto de lei.

7. Exigência ambiental em Angra 3 deve ser ignorada
Uma reportagem do Globo (íntegra para assinantes) diz que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) vai autorizar a Eletronuclear a utilizar uma espécie de piscina como depósito de rejeitos atômicos na futura usina de Angra 3. Essa piscina é atualmente destinada para abrigar o combustível já utilizado na geração de energia de Angra 2. A decisão do Cnen irritou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que havia determinado a criação de um depósito definitivo do lixo nuclear como pré-requisito para a liberação da obra pelo Ibama. O setor nuclear vê isso como uma ingerência indevida. Pelo histórico de pouco-caso do país com exigências ambientais, não será surpreendente que a Cnen saia por cima nesta história…

Mundo
8. A Bolívia “em colisão” após o referendo

O presidente boliviano Evo Morales pode até ter ficado satisfeito com a resposta do povo nas urnas, que o manteve no cargo com uma aprovação até maior do que quando foi eleito. O problema é como tocar o país depois do referendo. Um editorial do diário espanhol El País diz que a Bolívia está “em colisão” depois que ficou acirrado o confronto entre a massa indígena que apóia Evo, ainda que de uma maneira pouco organizada, e os “criollos”, a elite econômica do país. “Embora o presidente tenha clamado por unidade política e queira negociar com os estados rebeldes, não estava claro o que isso significava diante da sua vitória polarizadora no referendo”, afirma o jornal.

9. Morre no Paquistão o número 3 da Al-Qaeda
Considerado o número 3 da Al-Qaeda, o terrorista Abu Saeed al-Masri foi morto durante um confronto com o Exército do Paquistão na região noroeste do país asiático, onde um atentado a um ônibus com militares paquistaneses deixou 14 mortos e 10 feridos. Al-Masri era o líder da Al-Qaeda no Afeganistão, assumiu a responsabilidade pelos ataques à embaixada da Dinamarca em Islamabad, capital paquistanesa, e esteve envolvido no atentado que matou a ex-primeira ministra Benazir Bhutto, em dezembro de 2007. O britânico The Guardian lembra que al-Masri era um dos maiores defensores da radicalização do terror: “Todos os americanos são nossos inimigos, não só o governo Bush”, afirmou em uma recente entrevista a um canal de TV paquistanês.

10. Quem pode segurar Uribe na Colômbia?
Os partidários do presidente colombiano Álvaro Uribe conseguiram reunir 5 milhões de assinaturas a favor de um referendo que consulte a população sobre um eventual terceiro mandato. O documento foi entregue ao Registro Eleitoral da Colômbia, que terá 30 dias para certificar a autenticidade das assinaturas. Depois disso, como explica a BBC Brasil, a proposta precisa ser aprovada pelo Congresso e seguir para a Corte Constitucional (equivalente ao nosso Supremo), o passo mais difícil para a concretização do referendo - o terceiro mandato depende de uma emenda na Constituição. Se tudo der certo para Uribe, a consulta popular ocorreria até julho de 2009. Diante da popularidade expressiva por conta do sucesso no combate às Farc, não se pode duvidar do poder do presidente.

As dez mais de 11 de agosto

Seg, 11/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Ossétia do Sul: a guerra anunciada
A comunidade internacional sabia que os desentendimentos entre a Rússia e a Geórgia sobre a Ossétia do Sul, pequena região georgiana que defende sua integração ao território russo, podiam desencadear uma guerra há algum tempo. O que ninguém esperava era o vigor com que a Rússia entrou no conflito, aproveitando o pretexto da ocupação militar georgiana na região. O cessar-fogo decretado pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, não conteve as tropas russas, que ampliaram os ataques na proximidade de Tbilisi, capital georgiana. Para o The Wall Street Journal, a imposição da Rússia mostra que os EUA e os países europeus têm “pouca influência” sobre a região do Cáucaso. E o The New York Times lembra que a ofensiva russa, agora também por terra, “é a maior fora de seus domínios desde o colapso soviético”.

Brasil
2. Agricultura pode perder R$ 7,4 bi com aquecimento global

O Brasil poderá deixar de movimentar até R$ 7,4 bilhões de seu PIB agrícola em 2020 caso não se disponha a encontrar soluções contra o aquecimento global. É o que diz um estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Unicamp, a ser divulgado hoje. Segundo os pesquisadores, municípios que hoje são grandes pólos agrícolas podem deixar de ser daqui a 12 anos. As regiões mais secas, como o Nordeste, tendem a se tornar ainda mais áridas. A BBC Brasil informa que, dos nove cultivos analisados pelo levantamento, apenas a cana-de-açúcar e a mandioca não perderiam área plantada. É hora de começar a se mexer.

3. TCU pede paralisação das obras de nove aeroportos
O Estadão informa que o Tribunal de Contas da União (TCU) começa a analisar nesta quarta-feira (13) as auditorias técnicas sobre as obras em nove dos nove principais aeroportos administrados pela Infraero, entre eles Cumbica e Galeão. Devem vir problemas por aí. Os relatórios apontam indícios de superfaturamento de pelo menos R$ 3 bilhões e o órgão federal pode determinar a paralisação das reformas. Com um tom um tanto ameaçador, o jornal diz que a medida poderia pôr em risco até “a viabilidade da Copa de 2014”. A ver…

4. As quadrilhas “sociais” estão com tudo
Os programas sociais do governo federal estão se tornando o alvo preferencial de quadrilhas especializadas em desvios de verba. É o que diz uma reportagem do Globo (íntegra para assinantes) publicada hoje, com base num relatório da Controladoria-Geral da União. O documento da CGU diz que, em 2007, foram registrados mais de três mil casos de desvio de recursos em 180 municípios. As fraudes foram das mais variadas: numa delas, o dinheiro da merenda escolar foi usado para bancar um churrasco. Os criminosos se aproveitam da frágil fiscalização municipal sobre a verba enviada pela União. Na prática, eles só são descobertos quando a cidade em que atuam é sorteada pelos auditores da CGU.

Economia
5. O boom de Brasília

O Valor Econômico (para assinantes) aborda o vigoroso crescimento econômico de Brasília, “sem precedentes na história”. Seus habitantes têm o maior poder de compra do país, fazendo a cidade sair apenas da condição de centro do poder político para se tornar um pólo dinâmico da economia. A população atual, de 2,5 milhões de pessoas, é cinco vezes maior do que havia sido planejado em 2000. Isso significa um crescente mercado consumidor, mas há um lado menos atrativo sobre o qual a reportagem pouco se detém: a favelização do entorno do Plano Piloto, para onde vai a mão-de-obra barata que ajuda a impulsionar este boom.

6. Crise hipotecária americana completa um ano com futuro incerto
A quebradeira do mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos, que provocou uma crise financeira global, está completando um ano. E, como aponta a Gazeta Mercantil, os mercados ainda não digeriram totalmente a tormenta das hipotecas. “Eu mesmo achava que não duraria muito, mas o choque nos bancos começou devagar, foi crescendo e ainda não terminou”, disse ao jornal Guilherme da Nóbrega, economista-chefe da Itaú Corretora. O governo americano saiu em socorro dos dois gigantes hipotecários (Fannie Mae e Freddie Mac) para afastar o iminente risco de recessão, mas a comunidade financeira sabe que o fantasma imobiliário ainda não foi embora.

Eleições
7. Tarso e TRE vão avaliar segurança nas eleições do Rio

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, Roberto Wider, deve se reunir nesta segunda-feira (11) com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para avaliar que medidas serão tomadas para manter a segurança durante o processo eleitoral no Estado. Vários candidatos já foram intimidados por traficantes em favelas cariocas, o que aumentou o temor sobre uma eventual imposição aos eleitores de candidatos escolhidos pelo crime organizado. No entanto, a Força Nacional não deverá ser convocada para atuar no Rio, como antecipa o Globo Online, ficando apenas a Polícia Federal incumbida de reforçar a vigilância em zonas eleitorais localizadas nas proximidades de favelas.

Mundo
8. Evo Morales mantém-se no poder após referendo

Entre mortos e feridos, quase todos se salvaram após o referendo realizado neste domingo na Bolívia. A população foi consultada sobre a permanência de Evo Morales à frente do governo, e ele obteve um índice de cerca de 60% a seu favor, maior até do que os 53,7% que o puseram no poder em 2005. O problema para Evo, como relata o diário espanhol El País, é que os governadores de oposição em seis departamentos (estados), incluindo o mais rico deles, Santa Cruz, também saíram vitoriosos das urnas e reforçaram seu poder regional. Por conta disso, Evo já fez um discurso clamando por unidade, “juntando a nova Constituição com os estatutos autônomos”. Os departamentos oposicionistas lutam por mais autonomia em relação ao governo central.

Olimpíadas
9. Ação anti-terror no noroeste da China

Uma ação contra um suposto grupo terrorista deixou 11 mortos na província de Xinjiang, no noroeste da China, na manhã deste domingo. A BBC Brasil informa, com base nas informações da agência oficial chinesa Xinhua, que a polícia matou a tiros oito pessoas e outros dois homens-bomba se explodiram em um confronto em Kuqa, uma região habitada por minorias muçulmanas que lutam por sua independência do território chinês. Um vigia também morreu na ação. Segundo os policiais, o grupo foi o responsável pela série de explosões registrada na região. Como Xinjiang fica a cerca de 3,5 mil km de Pequim, a segurança dos Jogos Olímpicos não foi diretamente ameaçada, mas é evidente que a China vem tendo trabalho para sufocar as ameaças.

10. Judô brasileiro faz história
A história do Brasil na história das Olimpíadas mudou nesta segunda-feira com as duas medalhas de bronze obtidas por nossos judocas. Ketleyn Quadros, de apenas 20 anos, tornou-se a primeira atleta brasileira a ganhar uma medalha olímpica em um esporte individual, como informa o portal UOL. E Leandro Guilheiro é agora o segundo judoca a ter duas medalhas em Olimpíadas (ele foi bronze em Atenas-2004), ao lado de Aurélio Miguel, ouro em Seul-1988 e bronze em Atlanta-1996. De quebra, o judô se igualou à vela como o esporte que mais deu medalhas ao Brasil em Olimpíadas: 14. Agora só falta outra delegação fazer história e nos dar o tão sonhado ouro: o futebol masculino.

As dez mais de 8 de agosto

Sex, 08/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

Olimpíadas
1. Uma festa para ostentar a grandeza da China
A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, iniciada pontualmente às 9 horas de Brasília, cumpriu o que a China queria: a ostentação de seu poderio. Com a ambiciosa missão de contar cerca de cinco mil anos da história local, o evento mesclou a tecnologia do show de luzes com a tradição dos tambores chineses. Como informa o Estadão, o país gastou US$ 40 bilhões para se exibir ao mundo como superpotência, incluindo na conta desde as atrações da abertura em si ao forte esquema de segurança em torno do estádio Ninho do Pássaro. O único registro de tensão antes da abertura foi um e-mail recebido pela sede da Air China no Japão, alertando para o risco de haver um ataque a bomba em um avião da companhia e que o objetivo era interferir na cerimônia. A empresa aérea suspendeu seus vôos no Japão. Até as 11 horas, o evento no Ninho do Pássaro corria dentro do script.

Brasil
2. Algema, agora, só se o preso representar perigo
Manchete dos principais jornais, a decisão do Supremo Tribunal Federal de restringir o uso de algemas foi marcada por críticas dos ministros ao suposto abuso de autoridade em operações policiais. Agora, pelo entendimento do Supremo, só será algemado o preso que tentar fugir ou agredir policiais. Os ministros se reuniram para julgar um caso específico, como informa o Globo (íntegra para assinantes): um pedreiro, acusado de homicídio, ficou algemado no banco dos réus e foi condenado a 13 anos e meio de prisão pelo júri popular em Laranjal Paulista (SP). Ele alegou que os jurados foram influenciados pelo fato de ele usar algemas e o Supremo acabou anulando o julgamento.

3. Ministros pedem ao governo que admita tortura
O desconforto entre os militares com os Ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos só aumenta. A Folha (para assinantes) informa que Tarso Genro e Paulo Vanucchi orientaram a Advocacia Geral da União a admitir que houve tortura durante o regime militar, como parte da defesa do governo numa ação civil pública. Nela, os procuradores da República pedem que os militares reformados Audir Santos Maciel e Carlos Alberto Ustra sejam responsabilizados por crimes de tortura. Ustra, aliás, esteve ontem num ato no Clube Militar, no Rio de Janeiro, contra a idéia do governo de punir os torturadores. À paisana, o comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, também deu seu apoio, escancarando o mal-estar entre a caserna e o Planalto.

4. Beber vinho e uísque vai ficar mais caro
Depois da Lei Seca, o governo vai adotar, a partir de outubro, mais uma medida que deve desestimular o consumo de bebidas alcoólicas. Haverá um aumento de 30% na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as chamadas “bebidas quentes”, nacionais ou importadas. São elas: vinho, uísque, aguardente, conhaque, rum e batida. A cerveja, por enquanto, fica de fora, mas deve sofrer reajuste tarifário em janeiro de 2009. A justificativa do governo, segundo o Jornal do Brasil, é acompanhar a evolução da inflação, pois os preços desses produtos ficaram praticamente congelados por cinco anos. A indústria deve repassar o aumento do imposto em cerca de 5% para o consumidor.

5. Senado suspende licitações fraudulentas
Demorou um pouco, mas o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reagiu às evidências de fraude em licitações para serviços terceirizados na Casa. Ele anunciou que vai suspender três contratos sob suspeita de terem sido “distribuídos” entre as empresas Ipanema, Conservo e Brasília Informática. O Correio Braziliense informa que as novas licitações, orçadas em R$ 36 milhões, devem ser lançadas em até 60 dias.

Economia
6. BNDES bate recorde de empréstimos

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outras operações de grande porte no setor de telecomunicações fizeram o BNDES alcançar uma marca recorde de empréstimos no primeiro semestre do ano: R$ 38,6 bilhões, um aumento de 56,2% em relação ao mesmo período de 2007. A Folha (para assinantes) lembra que o maior financiamento do ano, até agora, foi a reestruturação da Telemar Participações, controladora da Oi, que recebeu R$ 2,56 bilhões do banco estatal.

7. Serviço da Receita é um caos, diz nova secretária
Sem saber da presença de jornalistas, a secretária da Receita Federal, Lina Vieira, reconheceu num evento interno do órgão que está “correndo atrás do prejuízo em relação ao caos que estamos vivendo na ponta (no atendimento ao contribuinte)”. Segundo o Globo (para assinantes), Lina afirmou que a falta de qualidade no serviço decorre da debandada de muitos servidores após a criação da Super-Receita, unindo as estruturas de arrecadação tributária e previdenciária. Eles afirmam que, agora, são meros “batedores de carimbo”, enquanto antes atuavam de forma efetiva no setor previdenciário. E, no fim, sempre sobra para a chamada “ponta” do sistema…

Ambiente
8. The Economist elogia o Fundo da Amazônia
O Fundo da Amazônia, lançado em julho pelo Ministério do Meio Ambiente, chamou a atenção da The Economist desta semana pelo fato de aceitar doações de governos e investidores estrangeiros para financiar projetos de desenvolvimento sustentável da floresta. Segundo a revista britânica, a surpresa ocorre porque as autoridades brasileiras sempre tiveram um “medo paranóico” de perder a soberania da região para “invasores” internacionais. “O reconhecimento do governo Lula de que o mundo se interessa pela Amazônia, sem intenção de influir nas políticas locais, é um sinal de crescente auto-confiança do país.”

Mundo
9. Ex-motorista de Bin Laden pega cinco anos e meio de prisão

O ex-motorista de Osama Bin Laden, o iemenita Salim Hamdan, foi condenado a cinco anos e meio de prisão por um tribunal militar na base americana de Guantánamo. A definição da pena para o crime de apoio material ao terrorismo foi surpreendente, pois se esperava que Hamdan fosse condenado à prisão perpétua. Como o tribunal decidiu levar em conta o período que o réu já ficou preso em Guantánamo (cinco anos e um mês), Hamdan pode, em tese, deixar a cadeia no começo de 2009. O The New York Times diz, porém, que o futuro do iemenita é incerto, “porque o governo Bush afirma que pode manter prisioneiros em Guantánamo até que acabe a guerra contra o terror”, ou seja, por tempo indeterminado. A saia-justa para Bush já está armada…

10. Rússia ameaça atacar a Geórgia
Após a desintegração da União Soviética, a relação da “mãe” Rússia com suas repúblicas-satélite nunca foi muito bem resolvida. Mais uma prova disso é a atual tensão com a Geórgia, que afirma ter sido invadida por tanques e aviões russos. O problema está no conflito entre o governo central da Geórgia e a Ossétia do Sul, uma região que luta por sua autonomia desde 1992 e nunca escondeu seu interesse de se agregar à Federação Russa, com o apoio de Moscou. A BBC Brasil informa que há “claramente uma movimentação militar” na fronteira entre Geórgia e Rússia, mas ainda é prematuro falar em um estado de guerra entre os países.

As dez mais de 7 de agosto

Qui, 07/08/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Supremo libera candidatura de políticos “ficha-suja”
Manchete de quase todos os jornais, a decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a candidatura de políticos que respondem a processos já era esperada. A coluna Painel, da Folha, acertou na véspera que só os ministros Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa dariam apoio à ação da AMB que pedia a exclusão dos candidatos “ficha-suja” da disputa eleitoral. Os outros nove ministros seguiram o argumento da presunção de inocência. Com a liberação do Supremo, diz o Globo, deve haver uma enxurrada de recursos de candidatos que já haviam sido impugnados, como a ex-governadora do Rio Rosinha Garotinho (PMDB), agora na disputa pela prefeitura de Campos dos Goytacazes.

2. Na CPI, Protógenes pede mais poder à PF
Mesmo depois de ter sido afastado da Operação Satiagraha, o delegado da PF Protógenes Queiroz não consegue fugir da polêmica. Em depoimento à CPI dos Grampos em Brasília, ontem, ele disse que os federais deviam ter acesso a dados cadastrais de investigados sem a necessidade de autorização judicial, para dar mais rapidez ao trabalho da polícia, como informa o Estadão. Protógenes afirmou ainda, de forma um tanto obscura, que membros de organizações criminosas poderão substituir deputados caso o Legislativo tente limitar a prática dos grampos. “Se não tomarmos posições, chegará o dia que os senhores não vão estar sentados nessa cadeira, que vão ser mafiosos no lugar de vocês”. Por fim, só para não perder o gosto pela controvérsia, o delegado reconheceu que usou agentes da Abin em sua investigação, sem consultar a diretoria da agência.

3. Grampo revela fraude de licitação no Senado
Falando em grampos, o Correio Braziliense (para assinantes) divulgou um diálogo captado pela PF em que donos de empresas combinam o resultado de uma licitação milionária no Senado. Após a comprovação do acerto, a Ipanema Segurança ganhou um contrato de R$ 2 milhões, em vigor até hoje. O Estadão informa que o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, corre o risco de perder o cargo por conta do escândalo das empresas terceirizadas. “Os diálogos, muitos com o uso de códigos, demonstram intimidade entre os empresários e os funcionários da Casa”, diz o jornal. O senador Efraim Morais (DEM-PB), também citado nos grampos, se defendeu ontem na tribuna e autorizou a polícia a investigar seus dados financeiros. Ele é o primeiro-secretário do Senado, responsável por supervisionar contratos de obras e serviços da Casa.

4. Cabo Anselmo candidato a presidente?
O Jornal do Brasil traz hoje uma reportagem sobre a tentativa de ressurgimento político de um polêmico e misterioso personagem do regime militar: Anselmo José dos Santos, o Cabo Anselmo, estaria preparando sua candidatura à presidência da República em 2010. Segundo o delegado da Polícia Civil de São Paulo Carlo Alberto Augusto, que há 39 anos faz as vezes de guardião e porta-voz do Cabo Anselmo, cinco partidos de direita já demonstraram interesse em ter o ex-marinheiro como candidato ao Palácio do Planalto. E ele já teria até um slogan: “Salvei o Brasil do comunismo em 64 e quero salvá-lo de novo”. Anselmo ganhou notoriedade após ter sido acusado de entregar aos militares seis ex-companheiros do grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), executados na região metropolitana do Recife em 1973. Entre eles estava sua ex-mulher, Soledad Viedma, então grávida de cinco meses. Odiado pela luta armada e pelos militares, ele vive clandestinamente desde aquela época - sua fisionomia atual é desconhecida. Sua possível reaparição seria um incômodo para qualquer um dos lados da época da ditadura.

Economia
5. Brasil perde US$ 15 bilhões em 4 meses

A conta está na manchete do Estadão. Investidores e empresas enviaram ao exterior US$ 15,1 bilhões nos últimos quatro meses, e o principal motivo dessa grande fuga de capital é a necessidade de cobrir prejuízos nos Estados Unidos. O número equivale ao saldo das operações de câmbio no segmento financeiro - na área comercial, as exportações seguem superando as importações, mas não o suficiente para compensar as saídas financeiras. Nesse caso, não há muito o que fazer para impedir esse fenômeno: enquanto a crise americana persistir, vamos ter de conviver com fluxos cambiais negativos.

6. Fusão brasileira pode criar gigante da celulose
O Valor Econômico (para assinantes) revela que o Grupo Votorantim, controlado pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes, fez uma proposta de fusão de sua empresa VCP com a Aracruz, o que levaria à criação da maior companhia do mundo no setor de celulose de eucalipto. Os acionistas da Aracruz liderados pela família Lorentzen aceitaram vender, por R$ 2,71 bilhões, os 28% que possuem da empresa. Só falta convencer os irmãos Joseph e Moise Safra, que possuem outros 28% da Aracruz, com preferência de compra dos outros papéis.

Educação
7. Um em cada quatro médicos se forma em faculdades ruins

Um levantamento do Ministério da Educação mostra que um em cada quatro médicos vem de cursos sem condições de funcionar. São 27 faculdades, na maioria privadas, que receberam as notas 1 e 2, num máximo de 5, em um novo indicador de qualidade criado pelo ministério. O índice, segundo a Folha (para assinantes), leva em conta a titulação dos professores, a satisfação dos alunos e o desempenho da faculdade no Enade 2007, o antigo Provão, do qual a USP e a Unicamp não participam. Em tempo: só 4 dos 153 cursos de medicina obtiveram a nota máxima.

Olimpíadas
8. Ex-refugiado do Sudão vai ser porta-bandeira dos EUA

O presidente americano George W. Bush vem pedindo à China um maior respeito aos direitos humanos, o que irrita o governo do país asiático. Mas talvez nenhum discurso de Bush possa ser tão perspicaz que a idéia da delegação americana dos Jogos Olímpicos. O porta-bandeira americano na cerimônia de abertura será o corredor Lopez Lomong, um ex-refugiado sudanês naturalizado em 2007, como conta o The New York Times. Não poderia haver forma mais inteligente e pacífica de protestar contra os chineses, justamente os maiores aliados do violento governo sudanês, acusado internacionalmente de genocídio e de forçar o êxodo de boa parte de sua população, como ocorreu com Lomong.

Mundo
9. Presidente do Paquistão pode cair em breve

Uma coalizão de partidos oposicionistas anunciou que vai começar a articular a renúncia do presidente do Paquistão, o general Pervez Musharraf, que chegou ao poder num golpe militar em 1999. O movimento é liderado por Asif Zardari, viúvo da líder política Benazir Bhutto, assassinada no fim de 2007. Musharraf vem ameaçando dissolver o Parlamento, o que seria a gota d’água para a oposição. O jornal britânico The Guardian lembra que as relações do general com os EUA, antes amigáveis por conta do apoio à guerra contra o terror de Bush, estão deterioradas depois das suspeitas de que o serviço secreto local passa informações a membros da Al-Qaeda.

10. Ex-motorista de Bin Laden condenado por apoiar o terrorismo
O iemenita Salim Hamdan, ex-motorista de Osama Bin Laden, foi condenado ontem por um tribunal militar na Base de Guantánamo, em Cuba, sob a acusação de ter dado apoio material ao terrorismo. Sua pena deve ser confirmada nesta quinta-feira, mas provavelmente será de prisão perpétua. É a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, que um criminoso de guerra é julgado por militares americanos, o que foi visto como uma vitória do governo Bush. O The Washington Post diz, porém, que o veredicto, definido em apenas três dias, “só aumentou o debate sobre uma suposta pré-determinação de culpa do acusado”. O porta-voz da Casa Branca, Tonny Fratto, disse que a Presidência se sentiu satisfeita por saber que Hamdan “recebeu um tratamento justo”. O ex-motorista de Bin Laden pode recorrer da decisão numa comissão militar e também em tribunais civis, direito concedido pela Suprema Corte a prisioneiros de Guantánamo.


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