As dez mais de 20 de agosto
1. Pré-sal será administrado por uma nova empresa
É o que diz a manchete da Folha (para assinantes), em reportagem de Kennedy Alencar. O jornal paulista é o único a “cravar” a informação de que, durante uma reunião com líderes da base aliada, o presidente Lula anunciou sua decisão pela criação de uma estatal que cuide somente das reservas petrolíferas da camada pré-sal, que ainda não foram leiloadas. O texto diz ainda que, mesmo com uma expectativa de exploração desses poços só daqui a alguns anos, Lula quer usar o pré-sal para se fortalecer e catapultar seu sucessor em 2010. O Estadão, mais cauteloso, informa que “o Planalto está cada vez mais inclinado” a adotar esse modelo, muito semelhante ao da Noruega, de uma segunda estatal petrolífera, bem mais enxuta que a empresa-mãe (no nosso caso, a Petrobras).
2. Supremo julga hoje fim do nepotismo
O Supremo Tribunal Federal julga nesta quarta-feira mais um tema polêmico: desta vez, é a proibição de contratação de parentes no Poder Judiciário, que pode ser estendida para o Executivo e o Legislativo. Os ministros vão analisar o mérito de uma ação, movida pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que pede o reconhecimento da constitucionalidade de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibindo a prática. Em 2006, em decisão liminar, o STF já havia mantido a resolução, lembra o G1. Se o Supremo decidir a favor da ação, vai oficializar o que já deveria ser vedado pelo próprio bom senso e noção de decência na vida pública. Mas aí seria pedir muito…
3. Reajuste a servidores públicos está emperrado
O governo decidiu há um bom tempo que vai dar reajuste salarial a cerca de 300 mil servidores públicos, mas a medida teima em ficar só na promessa. O Correio Braziliense traz hoje a informação que o aumento está emperrado pela queda-de-braço entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Chinaglia diz que os deputados não suportam mais engolir tantas Medidas Provisórias do Executivo – o reajuste ocorreria via MP, segundo os planos do governo. Agora, o governo propõe retirar da pauta a MP que cria o Ministério da Pesca em troca de o reajuste ser aprovado por um projeto de lei, como querem os deputados. Chinaglia ainda não se manifestou sobre a sugestão, mas, mesmo que a aceite, há um risco grande de o governo não conseguir cumprir a meta de aumentar o contracheque dos servidores a partir de outubro.
4. Jobim quer empresas financiando as Forças Armadas
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defende a participação de empresas no custeio de operações das Forças Armadas. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), a idéia de Jobim é promover uma relação ganha-ganha: os militares realizam treinamentos para garantir a segurança de infra-estrutura estratégica e as companhias do setor custeiam essa proteção. No mês que vem, Exército, Marinha e Aeronáutica farão a Operação Atlântico, mobilizando 9 mil homens para simular a repressão a invasores em áreas litorâneas, onde existam bacias petrolíferas. Nesse caso, o plano é contar com a ajuda da Petrobras, principal interessada em manter sob segurança suas reservas, para viabilizar a ação.
5. No Rio, só 7% confiam na PM
Uma pesquisa do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostra como as polícias andam desacreditadas na Região Metropolitana do Rio: só 6,9% dos entrevistados dizem acreditar totalmente na PM, e um pouco mais, 9,2%, na Polícia Civil. O Globo informa que o estudo também perguntou qual é o maior temor de quem mora no Rio e em seu entorno: ser atingido por uma bala perdida foi a resposta de 57% das pessoas, seguido do medo de ficar no meio de um tiroteio, com 43,5%. Nada mais sintomático…
Economia
6. Aumento da arrecadação já supera CPMF
O governo vem se contradizendo (para o bem) cada vez mais na questão da suposta falta significativa que a CPMF, extinta em dezembro do ano passado, faria para manter os níveis de arrecadação tributária. De janeiro a julho, entraram para os cofres públicos R$ 389,6 bilhões, 11% a mais que no mesmo período de 2007. O Estadão atenta para o fato de que só esse aumento em relação ao ano passado, até agora, já supera o que deixou de ser arrecadado sem a CPMF. Ou seja, o mesmo governo que se lamentou tanto com o fim do imposto do cheque está provando agora que o tributo era importante, mas não uma questão de vida e morte, como parecia ser.
7. Brasil será 5º maior mercado consumidor do mundo em 2030
O Brasil deve se tornar o quinto maior mercado consumidor mundial até 2030, saindo da atual oitava posição e superando Alemanha, Reino Unido e França. A projeção é de um estudo da consultoria Ernst &Young Brasil e da FGV Projetos, divulgado nesta quarta-feira pela Gazeta Mercantil (para assinantes). No ano passado, o consumo interno foi de US$ 1,066 trilhão e, daqui a 22 anos, a estimativa é que chegue a US$ 2,507 trilhões, impulsionado pela elevação da idade média da população, aumento de escolaridade e melhor distribuição de renda.
Mundo
8. O perigoso ressurgimento dos talebans
O confronto que deixou 10 soldados franceses mortos no Afeganistão mostrou que o esforço ocidental (capitaneado pelos Estados Unidos) de eliminar núcleos terroristas no país asiático é uma tarefa sem prazo para terminar. E o que mais assusta é o ressurgimento dos talebans, responsáveis pelo ataque aos militares franceses, que estavam a serviço da Otan. A facção que controlava o Afeganistão até 2001 foi rapidamente apeada do poder pelas tropas americanas, mas nunca deixou de se mobilizar de alguma forma. O The Washington Post diz que os talebans estão “aumentando sua ousadia e sofisticação” nos confrontos com as tropas ocidentais, lembrando que, nos últimos três meses, mais militares estrangeiros morreram no Afeganistão do que no Iraque.
9. EUA vão instalar sistema antimíssil na Polônia
Numa clara provocação à Rússia, os Estados Unidos e a Polônia assinaram um acordo que vai permitir ao governo americano instalar parte de seu sistema de escudos antimísseis em território polonês. Como relata a BBC Brasil, evidentemente os russos não gostaram da decisão, uma vez que se trata de uma intervenção americana em um país que fazia parte do bloco comunista e se encontra na área de influência russa. Sabendo da delicada situação, a Polônia exigiu que, em troca de aceitar a instalação dos equipamentos, os Estados Unidos reforcem a segurança no país. Em tempos de guerra na Geórgia, todo cuidado é pouco…
10. Países ricos buscam solos férteis no exterior
A busca pela segurança alimentar está causando um fenômeno interessante: países com poucos recursos agrícolas estão investindo em projetos em nações mais pobres, mas fornecedoras de gêneros alimentícios, para garantir que não haverá risco de desabastecimento nas importações, informa o jornal britânico Financial Times. Um exemplo é a Arábia Saudita, que está pesquisando formas de injetar seus petrodólares em países como Sudão, Ucrânia, Paquistão e Tailândia, onde a oferta de terras agricultáveis é maior.
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